Cão Cimarron

 

A Raça

ORIGEM

Também chamado de cachorro "crioulo" na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, o Cimarron (Chimarrão (*) tem sua origem incerta. Sabe se que ele descende dos cães introduzidos nas colônias pelos conquistadores Ibéricos, tanto Espanhóis quanto Portugueses durante o descobrimento, a conquista e colonização da América.

Ao cruzarem-se entre si, Mastins, Galgos e Lebréis, foi se constituindo uma raça que é fruto de absoluta seleção natural, sobrevivendo apenas os mais aptos, fortes e capazes. Nesse aspecto sua formação tem a mesma origem e passou pelo mesmo rigorismo que o Cavalo Crioulo, até firmar-se como raça definida. No território da atual República Oriental do Uruguai, situada sobre o Rio da Prata e Atlântico Sul, foi onde subsistiu melhor e com mais tipicidade.

 
 
 

Embora não exista comprovação, sua profunda semelhança com o Cão de Fila de São Miguel - raça oriunda e criada na Ilha de São Miguel no Arquipélago dos Açores (Portugal), tendo como sua primeira citação os meados do século XVI - pode sugerir ser esta raça, a precursora, ou até mesmo a base do Cimarron Uruguaio,tendo em vista que os portugueses fundaram Colônia do Sacramento em 1680 e Montevidéu em 1723 (como base militar de apoio a Colônia), permanecendo no território que hoje forma o Uruguai, até 1736.

A semelhança não se dá apenas no aspecto físico, mas também no de sua aptidão. Em Portugal são utilizados no trabalho com o gado, sendo classificados no Grupo 1 - De Trabalho (Cães Boieros).

    Cão de Fila de São Miguel    
 


No final do século XVIII, na época das guerras pela Independência do Uruguai, o General José Gervásio Artigas imortaliza o Cimarron, com sua célebre frase: " -Cuando me quede sin hombres, pelearé con perros cimarrones ! " - Quando ficar sem homens, lutarei com cães cimarrones!

 

PROLIFERAÇÃO

Nessa época (final do século XVIII), a economia principal da região, era a exploração bovina , tendo o couro como principal produto. A carne era subproduto. Assim sendo, devido a grande facilidade e abundância de alimentação, o número de cães "cimarrones" foi aumentado em grandes proporções, causando com isso, enormes transtornos a população. Por ordem do Vice Rei, Marquês de Loreto, no ano de 1.792 foram mortos mais de 300.000 cães. Cada mandíbula (queixada), era recompensada com uma certa quantia (em ouro).

       
 

RESGATE DA RAÇA

Algumas mães com seus filhotes conseguiram se salvar dessa "matança", escondendo-se nos matos nativos do Nordeste Uruguaio, hoje Departamentos de Rocha, Treinta y Tres e Cerro Largo. Foi onde o Sr. Carlos Alonso Imhoff pôde ir resgatar os descendentes daqueles Cimarrones e depois de rigorosa seleção, escolheu os primeiros 17 exemplares que serviriam de base para oficializar a raça e redigir o Standard da mesma no ano de 1.989. No Brasil foi introduzido através da fronteira do RS com o Uruguai, tendo como principais núcleos criatórios, os municípios de Bagé e Jaguarão.

 

USOS E APTIDÕES

É o cão ideal para fazendas, guarda e companhia. Muito rústico, de extrema coragem, não tem agressividade gratuita, entretanto defende muito bem seu território, mantendo estranhos afastados. Também é muito usado no trabalho com o gado, principalmente quando é necessário retirá-lo do mato ou de locais de difícil acesso ao homem/cavalo.

Detentor de um excelente temperamento, o Cimarron raramente late. É carinhoso,se relacionando bem com crianças e outros animais domésticos, entretanto, sendo uma raça que está na mão do homem somente de 30 anos para cá, ainda apresenta um sentimento atávico muito forte, o que ocasiona um instinto muito primitivo de caça. Os cães que quando adultos forem conviver com outros animais domésticos (aves, mamíferos,...), desde cedo devem ser acostumados com seus novos companheiros, sob pena de futuramente não os distinguirem da caça comum...

Devido a sua formação por seleção natural, apresenta um vigor físico que lhe proporciona imunidade a inúmera doenças ou afecções comuns em outras raças.

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PELAGENS

As cores preferidas pelos criadores são as amareladas e tigradas, frutos do mimetismo forjado pela seleção natural, onde essas colorações são mais facilmente confundidas com o meio ambiente. Alguns criadores preferem o tigrado para machos e o amarelo (baio) para fêmeas. É uma questão de preferência e modismo.

  Desfile comemorativo aos 150 anos da morte de J. Artigas - Montevideu (UY), setembro de 2000.    
 

NOTAS

(*) CHIMARRÃO = Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, em seu Novo Dicionário Aurélio: “Diz-se de, ou cão sem dono, cão bravio, que, fora de casa, se nutre de animais que mata”.

- A palavra “cimarron” é utilizada na América Espanhola se referindo a todo animal ou planta silvestre, em contraposição ao doméstico.

 
FONTES

 

-Sociedad Criadores Cimarron Uruguayo

 

-Fernando Asumpção

 

 

 

 

 

 

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